Pelé (1940-2022)

Quando nos identificamos como brasileiros no exterior, a recíproca imediata vem com uma referência, ou melhor, um aceno ao nome de Pelé. Assim, a nossa imagem foi associada ao jogador e assimilada lá fora, independente das nossas características.

A figura do Rei do Futebol foi construída pelo jornalismo esportivo desde quando ele era garoto na conquista da primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia.

Garrincha dividiu essa responsabilidade em decorrência das lesões do craque em 1962, durante a conquista do bicampeonato mundial no Chile, e mesmo na eliminação precoce na Copa de 1966, na Inglaterra.

Os anos de 1962 e 1963 ainda seriam marcados pelo bicampeonato mundial interclubes com o Santos Futebol Clube.

A consagração aconteceria quatro anos mais tarde, em 1970, com a conquista do Tri, no México.

Quando deixou a seleção e o time da Vila Belmiro nos anos 1970, Pelé divulgou a modalidade nos Estados Unidos, particularmente por meio de sua passagem pelo New York Cosmos.

Quando eu era menino na Estância Turística de Piraju (SP), a gente assistia aos seus feitos pelo mundo como “embaixador” do Brasil. Os mais velhos diziam que Pelé era até mais conhecido que Jesus Cristo.

Ao mesmo tempo, acompanhamos a sua vida pessoal e as cenas divididas entre casamentos, namoros, filhos, dinheiro, política e outras peripécias.

A relação com Xuxa Meneghel, a participarão no filme “Fuga para a vitória” (1981, John Huston), os mais de mil gols, a paternidade da filha Sandra Regina, ser ministro do Esporte no governo Fernando Henrique Cardoso e a prisão do filho Edinho foram alguns dos fatos mais explorados pela mídia em torno do jogador.

O programa “La Noche del Diez” em que Pelé é entrevistado por Maradona, na Argentina, é uma obra-prima da mídia esportiva. Sempre assisto com meus alunos de jornalismo aqui da USP e ficamos emocionados com as cenas.

Ao bom pesquisador em Ciências da Comunicação, estudar a construção desse personagem é fundamental para compreender a mídia em nosso país, assim como fez Ouhides João Augusto da Fonseca na Escola de Comunicações e Artes da USP.

Em função das conquistas esportivas do eterno Camisa 10, a criatividade do povo brasileiro é reconhecida em qualquer cantinho do Planeta Terra.

Pensei que poderíamos deixar as diferenças de lado e nos unir nesses dias para fazer uma grande festa em homenagem ao nosso Rei, que faleceu no dia 29 de dezembro de 2022.

Assim, o Brasil começaria 2023 caminhando rumo ao futuro como no choro de alegria daquele jovem de 17 anos na final da Copa de 1958.